Quase todos os e-mails que Jó recebe tem como títulos algo do tipo “5.000 receitas culinárias”, “seu CPF foi cancelado” ou “emagreça dormindo”. Os tais SPAM né! Antigamente não tinha isso. Em compensação, quando sua mãe pedia pra ele ver se tinha alguma carta na caixinha de correio, lá estava a conta de luz e + 8 papeizinhos sem nexo. Ele acha que o SPAM começou mais ou menos nessa época. O mundo mudou, mas o povo continua fazendo as mesmas coisas, só que de maneiras diferentes. As pessoas continuam assustando as outras, mas agora a forma de assustar mudou um pouco, não é mais aquela segurada no pé quando a pessoa está distraída.
Jó tem medo de muitas coisas e seus amigos sabem disso: escuro, ciganas e até de Papai Noel! Seu maior pesadelo seria faltar luz na noite de Natal e, quando o bom velhinho aparecesse e abrisse o saco, saíssem várias ciganas com dentes de ouro e falando portunhol para ler sua mão. Tem calafrios e tontura só de pensar em tal cena! Mas um dos maiores medos de Jó é o de sentir medo. Ele não vê filmes de terror porque sabe que na hora que tiver tudo calmo e tranqüilo, vai aparecer aquele monstro horroroso e com a fantasia mal feita correndo em direção à câmera. Para tirar esse pensamento da cabeça, foi para o computador.
Sentou-se na frente da máquina como fazia todos os dias. Daria uma olhada nos e-mails pra ver se tinha algo importante. Importante é só maneira de dizer, porque Jó era um mero adolescente! Foi deletando as mensagens de promoções de viagens pro Zimbábue; de uma garota tailandesa que queria conhecê-lo e do cancelamento de sua conta naquele banco que só aceita milionários. Ficou feliz ao ver uma mensagem de um grande amigo seu com o título: Teste de habilidade (aumente o som). “Adoro esses testes, vou fazer já!”. Botou o som da caixinha no máximo e abriu o arquivo. Era um labirinto e você tinha que, mexendo o mouse, levar a bolinha até o final dele sem encostar na parede. Jó se concentrou, ouviu umas músicas psicodélicas pra relaxar e começou o desafio. Chegou bem perto do monitor para conseguir ver melhor, se sagrar campeão e comemorar. Estava concentradíssimo! Mas, sem querer, pensou naquela simpática mulher que entregava panfletos na rua, esbarrou na parede do labirinto e surgiu a foto de um monstro na tela e o som de um grito ecoando nos auto-falantes. AHHHHHHHHH! Jó deu um mortal reverso por cima da cadeira, caiu estatelado e com arritmia no chão. Sentiu seu coração subindo pela garganta e ao engolir conseguiu dar aquela empurrada pra que ele voltasse pro peito. Quando parou de tremer xingou até os ancestrais macacos de seu “amigo”. Jurou que nunca mais acreditaria nessas coisas, ia parar de ser inocente.
Certo dia recebeu um telefone de uma famosa loja de sua cidade. Tinha ganhado um suposto fim de semana num hotel de luxo da região. Obviamente não acreditou, xingou a atendente e desligou na cara dela. Agora era um cara esperto, inocente nunca mais! Na outra semana comprou o jornal da cidade e lá tinha o resultado da tal promoção. Viu seu nome e a inscrição Prêmio Cancelado logo acima dele. “É ruim hein! Deve ter alguma coisa aqui explicando melhor”. E tinha! Ainda na página havia uma observação: os prêmios cancelados terão seu valor convertido em panfletos e material de divulgação da loja. “Não acredito! Ok, ok. Vou voltar a ser inocente, é melhor pra todo mundo!”.
Jó tem medo de muitas coisas e seus amigos sabem disso: escuro, ciganas e até de Papai Noel! Seu maior pesadelo seria faltar luz na noite de Natal e, quando o bom velhinho aparecesse e abrisse o saco, saíssem várias ciganas com dentes de ouro e falando portunhol para ler sua mão. Tem calafrios e tontura só de pensar em tal cena! Mas um dos maiores medos de Jó é o de sentir medo. Ele não vê filmes de terror porque sabe que na hora que tiver tudo calmo e tranqüilo, vai aparecer aquele monstro horroroso e com a fantasia mal feita correndo em direção à câmera. Para tirar esse pensamento da cabeça, foi para o computador.
Sentou-se na frente da máquina como fazia todos os dias. Daria uma olhada nos e-mails pra ver se tinha algo importante. Importante é só maneira de dizer, porque Jó era um mero adolescente! Foi deletando as mensagens de promoções de viagens pro Zimbábue; de uma garota tailandesa que queria conhecê-lo e do cancelamento de sua conta naquele banco que só aceita milionários. Ficou feliz ao ver uma mensagem de um grande amigo seu com o título: Teste de habilidade (aumente o som). “Adoro esses testes, vou fazer já!”. Botou o som da caixinha no máximo e abriu o arquivo. Era um labirinto e você tinha que, mexendo o mouse, levar a bolinha até o final dele sem encostar na parede. Jó se concentrou, ouviu umas músicas psicodélicas pra relaxar e começou o desafio. Chegou bem perto do monitor para conseguir ver melhor, se sagrar campeão e comemorar. Estava concentradíssimo! Mas, sem querer, pensou naquela simpática mulher que entregava panfletos na rua, esbarrou na parede do labirinto e surgiu a foto de um monstro na tela e o som de um grito ecoando nos auto-falantes. AHHHHHHHHH! Jó deu um mortal reverso por cima da cadeira, caiu estatelado e com arritmia no chão. Sentiu seu coração subindo pela garganta e ao engolir conseguiu dar aquela empurrada pra que ele voltasse pro peito. Quando parou de tremer xingou até os ancestrais macacos de seu “amigo”. Jurou que nunca mais acreditaria nessas coisas, ia parar de ser inocente.
Certo dia recebeu um telefone de uma famosa loja de sua cidade. Tinha ganhado um suposto fim de semana num hotel de luxo da região. Obviamente não acreditou, xingou a atendente e desligou na cara dela. Agora era um cara esperto, inocente nunca mais! Na outra semana comprou o jornal da cidade e lá tinha o resultado da tal promoção. Viu seu nome e a inscrição Prêmio Cancelado logo acima dele. “É ruim hein! Deve ter alguma coisa aqui explicando melhor”. E tinha! Ainda na página havia uma observação: os prêmios cancelados terão seu valor convertido em panfletos e material de divulgação da loja. “Não acredito! Ok, ok. Vou voltar a ser inocente, é melhor pra todo mundo!”.
