quarta-feira, 8 de julho de 2009

SPAM to

Quase todos os e-mails que Jó recebe tem como títulos algo do tipo “5.000 receitas culinárias”, “seu CPF foi cancelado” ou “emagreça dormindo”. Os tais SPAM né! Antigamente não tinha isso. Em compensação, quando sua mãe pedia pra ele ver se tinha alguma carta na caixinha de correio, lá estava a conta de luz e + 8 papeizinhos sem nexo. Ele acha que o SPAM começou mais ou menos nessa época. O mundo mudou, mas o povo continua fazendo as mesmas coisas, só que de maneiras diferentes. As pessoas continuam assustando as outras, mas agora a forma de assustar mudou um pouco, não é mais aquela segurada no pé quando a pessoa está distraída.
Jó tem medo de muitas coisas e seus amigos sabem disso: escuro, ciganas e até de Papai Noel! Seu maior pesadelo seria faltar luz na noite de Natal e, quando o bom velhinho aparecesse e abrisse o saco, saíssem várias ciganas com dentes de ouro e falando portunhol para ler sua mão. Tem calafrios e tontura só de pensar em tal cena! Mas um dos maiores medos de Jó é o de sentir medo. Ele não vê filmes de terror porque sabe que na hora que tiver tudo calmo e tranqüilo, vai aparecer aquele monstro horroroso e com a fantasia mal feita correndo em direção à câmera. Para tirar esse pensamento da cabeça, foi para o computador.
Sentou-se na frente da máquina como fazia todos os dias. Daria uma olhada nos e-mails pra ver se tinha algo importante. Importante é só maneira de dizer, porque Jó era um mero adolescente! Foi deletando as mensagens de promoções de viagens pro Zimbábue; de uma garota tailandesa que queria conhecê-lo e do cancelamento de sua conta naquele banco que só aceita milionários. Ficou feliz ao ver uma mensagem de um grande amigo seu com o título: Teste de habilidade (aumente o som). “Adoro esses testes, vou fazer já!”. Botou o som da caixinha no máximo e abriu o arquivo. Era um labirinto e você tinha que, mexendo o mouse, levar a bolinha até o final dele sem encostar na parede. Jó se concentrou, ouviu umas músicas psicodélicas pra relaxar e começou o desafio. Chegou bem perto do monitor para conseguir ver melhor, se sagrar campeão e comemorar. Estava concentradíssimo! Mas, sem querer, pensou naquela simpática mulher que entregava panfletos na rua, esbarrou na parede do labirinto e surgiu a foto de um monstro na tela e o som de um grito ecoando nos auto-falantes. AHHHHHHHHH! Jó deu um mortal reverso por cima da cadeira, caiu estatelado e com arritmia no chão. Sentiu seu coração subindo pela garganta e ao engolir conseguiu dar aquela empurrada pra que ele voltasse pro peito. Quando parou de tremer xingou até os ancestrais macacos de seu “amigo”. Jurou que nunca mais acreditaria nessas coisas, ia parar de ser inocente.
Certo dia recebeu um telefone de uma famosa loja de sua cidade. Tinha ganhado um suposto fim de semana num hotel de luxo da região. Obviamente não acreditou, xingou a atendente e desligou na cara dela. Agora era um cara esperto, inocente nunca mais! Na outra semana comprou o jornal da cidade e lá tinha o resultado da tal promoção. Viu seu nome e a inscrição Prêmio Cancelado logo acima dele. “É ruim hein! Deve ter alguma coisa aqui explicando melhor”. E tinha! Ainda na página havia uma observação: os prêmios cancelados terão seu valor convertido em panfletos e material de divulgação da loja. “Não acredito! Ok, ok. Vou voltar a ser inocente, é melhor pra todo mundo!”.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

No escurinho do avião

Não dá pra dizer que Jó estava prestes a fazer sua primeira viagem internacional, já havia passado menos de um dia no Paraguai, que poucos sabem é um país e não apenas uma rua onde se encontra tranqueiras. Diríamos então que essa seria sua viagem internacional mais longa até o momento.
Chegaram ao aeroporto (ele e seu amigo, que seria seu companheiro de viagem) com bastante antecedência, mesmo sabendo que o vôo iria atrasar. Fazer o que, sua mãe insistiu tanto pra saírem cedo! Jó e seu amigo chegaram à sala de embarque 1 hora antes da suposta partida do avião. Ficaram lá conversando, falando bobagens e reparando nas manias dos outros passageiros. Deu a hora combinada pra saída do avião e nada! Continuaram conversando, falando bobagens e reparando nos outros passageiros. 2 horas de espera e nenhum sinal de vida do Airbus! Continuaram só falando besteiras, já que o conteúdo para conversas sérias tinha terminado e os outros passageiros já haviam embarcado. De repente surgiu uma fila e foram logo correndo pra ela, brasileiro adora uma né! Como tinha bastante gente na fila, Jó deixou seu amigo nela e entrou em uma loja para ver uns preços de eletrônicos. Se impressionou, eram muito mais baratos do que se comprasse à vista nas Casas Bahia! Ficou namorando uns equipamentos e esqueceu que tinha que voltar pra fila. Ela começou a andar e Jó saiu correndo da loja desesperadamente, batendo o recorde olímpico nos 100 metros com barreiras e bagagens. Ao invés da glória, a tristeza de ter chegado atrasado e ter que voltar pro fim da fila.
A companhia aérea era portuguesa e, ao sentarem em suas poltronas, Jó e seu amigo perceberam que não existia a fileira ‘C’ de poltronas, da ‘B’ pulava pra ‘D’. Será que no português de Portugal o C é sagrado? Ou talvez ele nem exista por lá? Jó olhou os passageiros que estavam ao redor e reparam que eles eram, no mínimo, excêntricos: havia uma velha que só falava em comida; uma médica meio louca e uma outra moça que tinha a cara branca e os braços morenos. Reparou, reparou, mas essa última não era o Michael Jackson.
Passou praticamente a noite inteira acordado e o café da manhã foi servido justo na hora que tinha conseguido cochilar. No café tinha uma comida que Jó adorava: fritada! Momento gastronômico: fritada é uma torta alta feita de ovos e pode ter vários recheios (batata, atum, bacon, ou todos esses juntos). É uma delícia! Então Jó recebeu seu café e ao comer a fritada se lembrou que estava com gases. Ovos, sempre eles! Usou a seguinte tática: liberava suas ogivas nucleares quando as luzes do avião eram apagadas e todos fechavam seus olhos, assim era só fechar os seus também e esconder o riso para que se transformasse de réu à vítima em poucos segundos. Esperto!
Por causa do atraso na saída do vôo no Brasil, perderam a conexão e tiveram que ficar algumas horas no aeroporto: conversando, falando besteiras e reparando nos outros passageiros. Ao entrar no avião a aeromoça perguntou se Jó gostaria de alguma coisa, ele só respondeu com outra pergunta: “Tem como dar uma apagadinha nas luzes?”.

sábado, 25 de abril de 2009

ZzzzZzzZZzzinema

Jó sempre gostou muito de dormir, mas não é daquelas pessoas que encostam na parede de chapisco, sentam num banco de concreto ou num colchão de pregos a qualquer hora do dia e pegam no sono. Para ele, dormir é somente à noite e em algum lugar bem confortável. Se for numa cama king-size e com ar-condicionado no quarto, ele pega no sono em 2 minutos. Não dá nem pra rezar aquelas orações grandes demais. É no máximo um Pai Nosso em ritmo narração de jogo de futebol no rádio, ou seja, acelerado ao extremo! “Painossoqueestaisnocéusantificadosejaovossonomevemanósovossoreino
Sejafeitaavossavontadeassimnaterracomonocéuopãonossodecadadianos
Daíhojeperdoainosasnossasofensasassimcomonósperdoamosaquemnoste
mofendidonãonosdeixeicairemtentaçãomaslivrai-nosdomal”. GOOOOOL! Bem, já que ele gosta de dormir durante umas 12 horas e não gosta de levantar perto da hora do almoço é obrigado a dormir bem cedo. O pior é que no começo da noite ele já começa a ficar sonolento, seu raciocínio fica lerdo e suas pálpebras ficam extremamente pesadas e obesas.
Um dia ele foi convidado para ir ao cinema à noite. Não, nenhuma mulher o chamou, infelizmente! Solteirão, iria acompanhar 2 amigos e suas namoradas que veriam um filme de pancadaria. Naqueles que os caras voam, que ninguém acerta um tiro sequer no protagonista e tem perseguição com jet-ski, carros importados e pôneis. Pensou inteligentemente: “Ah, em filme de porradaria eu com certeza não vou dormir”. Como estava desacompanhado, Jó preferiu sentar-se um pouco afastado dos casais. Na verdade, não queria ouvir aquele típico vocabulário de namorados: pituquinho, chuchulete, gordinho, gueixa etc. Começaram os trailers: no primeiro Jó se animou, “Uia! Legal esse hein, bem agitado. Verei com certeza!”; no segundo ele já começou a sentir o efeito do sono em seu cérebro, “Ah, esse sei lá! É filme mesmo? Parece meio animação, aquelas coisas em 3d!”; no começo do terceiro já começou a pescar, e olha que era uma mega-produção americana com aquele elenco de novela das 8, que agora virou das 9 né! “Esse filme deve ser impressionante! RapazzzzZZzzzzZZzzzZZzZZzZZZ”. Apagou! Teve um ataque fulminante de sono antes mesmo de começar o filme. Incrível!
Passaram-se quase 2 horas até que Jó acordou assustado no meio de um tiroteio. Não, nenhum louco entrou no cinema com um fuzil, era o mocinho do filme intacto e sem levar nenhum tiro metralhando seu inimigo. Moveu seus olhos arregalados para o lado e viu seus amigos rindo da sua cara muito amarrotada e da sua camiseta meio babada. Mas não era isso que envergonhava Jó, que imediatamente perguntou: “Ronquei?”. Sussuros de “não” foram ouvidos e ele se sentiu um tanto quanto aliviado. Ufa!
Recebeu outro convite do mesmo casal de amigos. Um filme à noite também, só que bem mamão com açúcar. Mas dessa vez ele não dormiria, já que levaria uma companhia muito especial e que o acompanha desde seu último aniversário: Scheniffer, sua boneca inflável!
 
Clicky Web Analytics